Rede Penssan abre sua participação na COP 30 com debate no Pavilhão Pará sobre ciência, alimentação e clima

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A Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) iniciou oficialmente sua participação na COP 30, nesta terça-feira (11), em Belém (PA). Com a mesa “A ciência brasileira no enfrentamento da fome e da insegurança alimentar em tempos de crise climática”, realizada na Green Zone (Pavilhão Pará, Sala Castanheira). As pesquisadoras Poliana Palmeira (UFCG), Ramonildes Gomes (UFCG), Sandra Chaves (UFBA) e Nádia Fernandes (UFPA) representaram a organização na atividade.

A vice-coordenadora Poliana Palmeira apresentou o contexto das ações da Rede ao longo de 2025 e a trajetória que levou à construção de um policy brief sobre fome e clima, intitulado “Pesquisa-Cidadã, Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional diante da Crise Climática: uma agenda coletiva integrando ciência, política e sociedade”. O documento resulta de um esforço coletivo para compreender os impactos das mudanças climáticas sobre a alimentação e a saúde, reforçando a pesquisa-cidadã como prática de produção de conhecimento. 

“Em 2025 intensificamos nossas atividades no tema do clima, o que culminou na elaboração de um policy brief que reúne vozes, evidências e aprendizados de diferentes partes do país. Esse processo reflete um esforço coletivo da Rede Penssan para compreender os impactos das mudanças climáticas sobre a alimentação e a saúde, e para fortalecer o papel da pesquisa-cidadã como caminho de construção conjunta do conhecimento. Estar aqui na Amazônia, neste momento, reafirma a importância das vivências em territórios que são centrais na construção das respostas de que precisamos”, pontuou.

Coordenadora administrativa da Rede Penssan, Ramonildes Gomes destacou como a agenda de justiça climática tem orientado o trabalho da Rede, aproximando ciência, sociedade e políticas públicas. Para ela, os desafios impostos pela crise climática exigem respostas integradas e territorializadas. 

“A justiça climática vem atravessando nossas pautas e direcionando as atividades da Rede Penssan para um conjunto de questões que hoje povoam tanto o ecossistema acadêmico quanto o da sociedade civil. As mudanças climáticas intensificam os desafios do direito humano à alimentação, da produção e da sustentabilidade dos territórios. Por isso, nossas pesquisas e ações têm buscado construir respostas conectadas a essas urgências unindo ciência, ação pública e compromisso social”, afirmou.

Secretária executiva da Rede, a professora Sandra Chaves apresentou elementos centrais do mapeamento das pesquisas associadas à Rede, processo que integrou dados de formulários, webinários e projetos em andamento. Ela lembrou que a baixa presença de pesquisas sistematizadas na região Norte continua sendo um desafio estruturante. 

“Por que aparecem poucas pesquisas na região Norte? E por que, ao mesmo tempo, é ainda um território onde se observam os índices mais elevados de insegurança alimentar? Se não sistematizamos o conhecimento, não temos como disputar a orientação das políticas públicas”, destacou, chamando a atenção para o impacto da crise climática sobre os sistemas alimentares, especialmente no avanço dos ultraprocessados: “O ultraprocessado cresce junto com a crise climática. O que mais se dá em abrigo de enchente é o ultraprocessado. Ainda falta vontade política para uma ação ampla que proteja a alimentação adequada e saudável”.

Nádia Fernandes, integrante da comissão COP 30 da Rede, explicou como os dados de pesquisas, relatos e discussões dos webinários foram sistematizados. “Mapeamos formulários, webinários, falas orais e produtos de pesquisa. Foi possível organizar esse conjunto como um quebra-cabeça e identificar os eixos que estruturam a atuação da Rede. As recomendações são construídas, entrelaçadas, refletindo o pensamento coletivo sobre sistemas alimentares e clima”.

O mapeamento revelou ausências significativas na região Norte, mas também oportunidades de aproximação. “Se temos uma região de alta fragilidade climática e alimentar, mas sem um espaço consolidado de estudo profundo, precisamos acolher e conectar pessoas pesquisadoras desses territórios. Esse conhecimento existe, mas ainda não se integrou à Rede”, completou a pesquisadora da UFPA. 

Ela concluiu chamando atenção para a centralidade dos saberes locais. “É preciso ouvir os povos originários, os povos tradicionais, quem maneja a floresta, o semiárido, os rios. Eles sabem resistir e sabem como manejar os territórios. A ciência cidadã nos provoca a escutar e incorporar isso nas políticas públicas.”

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